20 de novembro é dia de luta

Vamos mostrar a este governo genocida e racista que estamos todos pela vida, por direitos, contra a ditadura e a escravidão modernas.


Neste 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, milhares de brasileiros e brasileiras irão às ruas, mais uma vez, para protestar contra o racismo estrutural que ainda marca e predomina a nossa sociedade. Em pleno século 21 nosso Brasil ainda tem profundas marcas de uma sociedade escravocrata e preconceituosa, construída em cima de uma capitalismo excludente e racista.


O Rio de janeiro terá dois atos de rua para marcar a luta contra o racismo no Dia da Consciência Negra, dia de Zumbi.
Às 13h, em Madureira, acontece a 10ª Marcha da Periferia, onde todos os coletivos, entidades movimentos sociais estarão juntos para aquilombar as lutas com raça, gênero e classe; pela vida e por direitos! Contra a ditadura e a escravidão moderna e pelo fora Bolsonaro, Mourão e Sérgio Camargo.
A concentração será à uma da tarde no Viaduto de Madureira, de onde todos sairão em caminhada.
Mais cedo, às 10h da manhã, haverá uma concentração diante do busto de Zumbi, Rei de Palmares, em frente ao Terreirão do Samba, na av Presidente Vargas. Será uma saudação ao herói do mais famoso quilombo brasileiro e vai marcar o início das manifestações.

Mais de três séculos de escravidão deixaram marcas indeléveis em nosso Estado autocrata e na nossa sociedade majoritariamente preconceituosa. Teorias racistas fizeram parte da construção da identidade nacional. O Brasil foi a última Nação no mundo a abolir a escravidão (1988), e quando o fez o Estado Brasileiro não criou as condições para que nosso povo negro pudesse ser absorvido em condições de igualdade em nossa sociedade. Ao contrário, permitiu a sobrevivência e ressignificação da mentalidade e prática escravocrata nas estruturas da República.

Mais de 12,5 milhões de negros e negras foram aprisionados na África, pelos colonizadores brancos europeus, e trazidos para o continente americano como escravos. Deste total, cerca de 4,8 milhões vieram para o Brasil. Perto de 20% deste contingente sequer chegou a seu destino, morreu nos porões dos navios negreiros, de doenças, fome ou maus tratos. A média de expectativa de vida de um escravo negro africano era de apenas 25 anos. Nosso povo negro resistiu como pode, defendeu sua identidade e ancestralidade, fugiu e aquilombou-se, travou batalhas e organizou revoltas. Nunca abaixou a cabeça.


Hoje, nossa sociedade ainda apresenta traços de enorme desigualdade social que tem suas raízes nesta história de racismo e discriminação. Nosso povo negro, pobre e trabalhador vive nas favelas, quilombos e periferias, e apesar de constituir a maioria da nossa população (62%), não consegue ter o mesmo tipo de acesso aos serviços públicos (educação, saúde, saneamento, transporte), ao trabalho (emprego, salários, condições de trabalho), e muito menos aos bens de consumo e de moradia. Mais de 74% da nossa população das classes D e E são de negros e pardos.

Pesquisas recentes mostraram que apesar de 84% da nossa população perceber o racismo no nosso cotidiano (sendo que 61% assume que já presenciou algum tipo de discriminação racial), apenas 4% se assume como preconceituoso. Em outras palavras, racistas são os outros.


E como o Estado Brasileiro vem tratando esse nosso povo negro? Temos um Presidente da República racista, que promove uma cultura do ódio, da violência, da exclusão, da intolerância e do preconceito, um genocida contra negros, pobres e indígenas. E um Governador do Estado que também adota a mesma postura, e cuja política de (in) segurança pública recentemente nos brindou com um dos maiores massacres de nossa juventude negra favelada, assassinando 27 jovens na Favela do Jacarezinho. Até quando vamos normalizar o que está acontecendo cotidianamente nas nossas favelas?

Por isso, neste 20 de novembro, inúmeras entidades da Coalizão Negra por Direitos e da Convergência Negra, com o apoio de centenas de outras entidades, coletivos, movimentos, centrais sindicais e partidos de esquerda da Campanha Fora Bolsonaro! irão às ruas para lutar e protestar. Venha participar desta jornada. Aqui no Rio a X Marcha da Periferia vai se concentrar a partir das 13h no Viaduto de Madureira. O Portal Favelas se agrega a esta iniciativa e conclama seus usuários e parceiros a ajudar na mobilização e divulgação desta iniciativa.


Diretoria e Colaboradores do Portal Favelas


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