18ª Edição do Acampamento Terra Livre

Entre os dias 04 a 15 de abril, acontece a 18ª edição do Acampamento Terra Livre, com o tema: “Retomando o Brasil – Desmarcar Territórios e Aldear a Política”. Desde 2004 o movimento indígena brasileiro articula a maior mobilização dos povos originários do Brasil. Este ano o movimento ocupou Brasília, com o objetivo de reivindicar os direitos garantidos na Constituição “Nossa luta é pela terra, pela vida, pelos nossos bens naturais e pela soberania do povo brasileiro”, afirma a APIB – Articulação dos povos indígenas do Brasil.


Foto: Matheus Alves

Com o governo Bolsonaro, o povo indígena tem enfrentado questões que ameaçam suas vidas e tradições, isso porque uma das propostas centrais do governo é a abertura das Terras Indígenas para a exploração em grande escala de mineração, hidrelétricas e grandes projetos de infraestrutura. O projeto de Lei 191/2020 é um dos principais instrumentos da política de destruição “Estamos enfrentando pautas urgentes, a desmarcação dos nossos territórios segue como bandeira principal. Estamos em um ano eleitoral e para iniciar nossa jornada de lutas, declaramos o último ano do governo Genocida”, afirma a coordenação executiva do APIB em seu site.

Durante os últimos dois anos, o Acampamento Terra Livre aconteceu de forma virtual por conta da pandemia do covid-19 e de acordo com os organizadores houve dificuldades de conexão o que dispersou algumas pessoas.

Os organizadores alertam também sobre o julgamento do marco temporal que será retomado no Supremo Tribunal Federal, no primeiro semestre de 2022. É um dos mais importantes julgamentos da história, e definirá o rumo das demarcações indígenas.

O ex-presidente, Lula, esteve presente na manifestação e falou da importância da criação de um ministério para defender e garantir os direitos dos indígenas “Se a gente criou o ministério da igualdade racial, dos direitos humanos, o ministério da pesca, por que a gente não pode criar o ministério para discutir as questões indígenas? Eu quero que saibam, se preparem que terá que ser um índio ou uma índia”, diz Lula.

Na manifestação teve também o lançamento das pré-candidaturas. O movimento indígena tem se organizado para incentivar a participação indígena nas eleições. “Nós precisamos ocupar a política partidária para ocupar o poder. Por isso, um dos nossos objetivos centrais no ATL é incentivar candidaturas indígenas ao parlamento, seja nas assembleias legislativas estaduais, seja no Congresso Nacional. Chega da política da morte, nós chegamos em Brasília com a política da vida originária.” Kerexu Yxapyry, coordenadora executiva da Apib e pré-candidata a deputada federal por Santa Catarina.

Na sexta-feira (08), mulheres indígenas de todo o país compartilharam suas vivências e foram as protagonistas do dia, já no último dia (15), acontecerá o retorno das delegações.


Fonte: APIB

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