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É GENOCIDA OU NÃO É...



FOTO: SITE DE JORNALISMO CHUMBO GORDO


Não existe polêmica alguma na questão que mais tem tomado as redes sociais nos últimos dias, tornando-se parte do debate nacional e fazendo-se presente na boca do povo:

O número de brasileiros mortos por conta do covid-19 faz de Bolsonaro um genocida?

A resposta para a pergunta é: sim. Mais de 300.000 mortos em um período de, aproximadamente, um ano. Nos últimos dias, as estatísticas apontam mais de 3000 pessoas morrendo diariamente. Em média, são mais de 70.000 novos casos por dia.


Não são números normais. Não são números razoáveis. Não são números aceitáveis. São resultado de uma política de governo que tem a morte como solução eficaz para a crise econômica que se abate sobre o Brasil desde antes do início da pandemia. Começou em 2015, ainda no governo Dilma com o ajuste fiscal que elevou, mais do que dobrou a taxa de desempregos no país, piorou com as contra reformas antisociais e anti povo do governo Temer em meio a uma crise internacional do sistema capitalista, que se abateu sobre o país que já vivia sua própria crise interna e culminou com a eleição do genocida Bolsonaro e seu "sinistro" da economia, o ultraliberal Paulo Guedes. Os dois formavam a dupla perfeita que, no momento de crise no sistema, forte descontentamento da população com a classe política e pressões da imprensa repercurtidas pela maior parte da população brasileira contra a corrupção com a subercobertura da operação Lava Jato e a elevação do então juiz Sérgio Moro ao status de herói nacional.


Essa terceira figura junta-se aos outros dois formando um trio que se tornaria a equipe perfeita agradando o senso comum da sociedade brasileira em todos os seus grupos sociais. Ao pobre conservador e inculto, anestesiado pelo neopentecostalismo, caiu muito bem o discurso de Bolsonaro, patriótico, moralista, pseudoantisistêmico ("Vamos acabar com tudo isso daí") e com ênfase no combate ostensivo à violência e à bandidagem.  O economista de Chicago e membro da equipe econômica da ditadura Pinochet no Chile, Paulo Guedes, sócio de banqueiros e office boy da elite econômica afiançava o político medíocre, vulgar e despreparado junto aos donos do poder a classe dominante do país, garantindo critérios técnicos e uma condição da economia segundo seus interesses.  À classe média alienada restava seguir seu herói justiceiro que acabou com a corrupção no Brasil, prendendo um ex presidente que, por coincidencia, seria o principal adversário de Bolsonaro no pleito eleitoral por ele vencido e que se mostrou nada menos do que um farsante de pés de barro, como todo paladino o é no final das contas.


Bolsonaro, antes de mais nada, é a resposta da burguesia a crise política e sistêmica, generalisada, em que se encontra hoje o capitalismo em nosso país, e com este o regi.e democrático burguês. E como tal, a implementação de uma política de morte era iminente desde o início à equipe foada para seu governo. Foi-nos apresentada, primeiramente, através de um antigo discurso de truculência que ao longo dos anos, demonstrou agradar conservadores de todas as matizes. A famosa frase "bandido bom é bandido morto". Seguido de outros disparates proferidos pelo próprio presidente ou por governadores que se elegeram na mesma pegada que se mostrou uma tendência naquele momento: "Combater fogo com fogo", "polícia tem que matar mesmo", "vamos atirar na cabecinha". Esperava-se um banho de sangue desse governo, num país onde polícia matar preto, pobre e favaledo, ainda que trabalhador, virou algo natural e aceitável, sempre aparecendo gente de todas as classes sociais para aplaudir a defender e justificar qualquer tipo de violência promovida pelos homens da lei no Brasil. E isso seria superpotencializado com pacotes anticrimes, leis que legitimam abuso de autoridade e descriminalizam os possíveis excessos cometidos pelos agentes de segurança, legislação de combate ao terrorismo ou que dão ensejo à perseguição ideológica.


Assim sendo, o esperado era que se estabelecesse um clima de guerra intensificando o derramamento de sangue, no qual o extermínio de pobres seria intensificado dando o tom e contribuindo para resolver o problema econômico do país, através da violenta eliminação física de um grande número de vítimas nas políticas de segurança pública (contribuindo assim para a destruição forças produtivas no país através da diminuição da população). O que o governo da morte não contava, porém, na aplicação de sua necropolítica era com o fator acaso que viria a lhe favorecer facilitando a concretização de seus objetivos. A chegada da pandemia há aproximadamente um ano fez, ao longo desse período, o que o governo não conseguiria fazer sozinho em quatro anos. Matar mais de 300.000 pessoas por contágio do novo corona vírus. Logicamente, isso não tira a responsabilidade de Bolsonaro e de seu governo maldito que contribuiu para esse genocídio desde o início.


A falta de uma política de emergência que desde o início levasse a sério e combateste com eficácia a proliferação dessa doença arrasadora e mortal. Não incentivou quarentena quando a coisa ainda estava sobre controle, recusou-se a fazer lockdown nos momentos que a situação começava e se aprofundar, publicamente só promovia o caos, com declarações irresponsáveis, aparecendo em público sem máscara e em situações de aglomeração. Reiteradamente, receitou remédios não reconhecidos nem aprovados pela medicina para precaução e combate da doença, desestimulou e não tomou as devidas providências para garantir a vacinação, ao contrário, colocando em dúvida a eficácia desse procedimento. Não promoveu ações sociais que garantissem a segurança econômica e alimentar das pessoas que não puderam trabalhar ou encontravam -se em situação de vulnerabilidade durante todo esse período. Enfim, tudo que pode fazer para atrapalhar e impedir o combate à doença e os cuidados com os doentes foi feito pelo atual presidente. Tudo isso o torna o maior genocida da história, pois nem a bomba atômica, nem o extermínio da população indígena, nem a tragédia de escravidão colonial da africanos, nem mesmo os governos europeus de extrema direita do período ebtreguetras, nenhum desses genocídios que marcam a história da humanidade conseguiram o absurdo de ceifar mais de 300.000 vidas em um único ano.


Para termos uma ideia, apenas a segunda guerra mundial consegue, proporcionalmente superar esse número.

Por tudo isso, não temos o menor problema ao responder a pergunta que tem gerado debate entre os brasileiros nos últimos dias: Bolsonaro é genocida? Sim!


AUTOR DO TEXTO: André Império

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