Tiro na cabecinha!



Essa foi à ordem dada pelo comandante da Gestapo Fluminense o fascista Witzel. Não importa se estamos em plena pandemia, não importa se não tem mais respiradores nos hospitais, nada importa se faltar qualquer coisa para nossa sobrevivência. Afinal somos “só” favelados. Considerados historicamente como coisas, objetos.

Ainda ontem, passávamos por um imenso sufoco para retirar o corpo de um morador de dentro de casa. Todos sem saber o que fazer com aquele corpo inerte. Também pairava dúvidas do que fazer com aquela residência uma vez que não tínhamos ali nenhum técnico da área de saúde para orientar. Onde encontrar equipamentos para higienizar e tratar dos familiares do morto. Com certeza, ali estava infectado e outras pessoas seriam atingidas. Mas tudo bem somos “apenas favelados”.

A fome ronda os nossos espaços. Cestas básicas chegam, mas não dão conta porque surgem mais bocas! Parecido com a poesia de Solano Trindade que diz: “Trem da Leopoldina correndo”. Parece dizer, tem gente com fome, tem gente com fome, tem gente com fome. E quando mil cestas chegaram, teve um “artista” que tirou cópias das fichas de cadastros. Conclusão gerou uma grande confusão porque duplicou o número de pessoas e as cestas não deram para todos. Como explicar o fenômeno dos justos que ficaram sem as cestas? Basta pedirmos mais, para tentar enganar as inocentes barrigas famintas que restaram. Era assim que mamãe dizia pra gente quando só havia fubá. Ela nos dizia: “crianças, hoje vamos enganar o estômago, e fazia um angu” e mais nada!

Enfim, chegou à pandemia. A maioria nunca havia ouvido essa expressão. Então, nós com um pouquinho mais de informação, fomos responsáveis por explicar o significado daquela expressão naquele momento. Até hoje, muitos ainda não entenderam bem. Porque, enquanto nós pedimos para ficarem em casa e não participar de aglomerações, o protótipo de presidente diz que é só uma gripezinha ou um resfriadinho dando mau exemplo a todo o momento, que podemos aglomerar. Isto porque para ele o mais importante é a economia. Vidas não importam principalmente se forem vidas de pobres e favelados. Afinal, na visão dele, somos coisas e não pessoas.

Hoje aproximadamente às 6 horas da manhã, fomos acordados com barulhos de tiros. É a política de segurança inescrupulosa do governo do Estado o qual seus asseclas cumprem rigorosamente a suas ordens. Dentre os tantos absurdos ditos por este governador, encontra-se o TIRO NA CABECINHA. Foi exatamente o que fizeram hoje os agentes do BOPE na operação sem protocolo no Jacarezinho. Um jovem na localidade do Azul nesta favela recebeu a ordem de sentar em uma cadeira e levou vários tiros na cabeça segundo informações de moradores. Se a voz do povo é a voz de Deus, então esta é a mais pura verdade do que aconteceu hoje na favela do Jacarezinho em plena pandemia. Algumas sugestões vão surgindo para o enfrentamento desta política errônea. Uma dessas é começar a providenciar ofendículos. O artigo 25 do Código Penal brasileiro entende que em legítima defesa quem usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Desta forma, moradores podem usar deste artifício. Por exemplo, uma cerca energizada, uma água fervendo que cai quando intruso pisa na laje, etc. infelizmente hoje o meu ofendículo se encontrava desligado, porque há muito tempo não acontecia operação por aqui. Pisaram na minha laje e tiveram sorte em está desligado. Pois é, Deus protege até mesmo desgraçados como estes.

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