• Bárbara Nascimento

Paraisópolis: favela que inspira

Atualizado: Abr 17


Foto: https://www.reddit.com


Recentemente, o Portal Favelas publicou uma matéria relatando as ações de enfrentamento contra o Coronavírus, que vêm sendo desenvolvidas pelo Morro da Providência e a favela do Santa Marta. Tais medidas inspiraram outras favelas (Babilônia, Chapéu Mangueira e Vidigal, por exemplo) a adotarem as mesmas ações higiênicas em seus territórios. Dessa vez, falaremos das estratégias desenvolvidas pela favela da zona sul de São Paulo: Paraisópolis.


O território com a maior densidade demográfica entre todas as favelas do Brasil criou um Estado dentro de si. Ciente de que medidas governamentais demorariam a ser implementadas especificamente para a população favelada, Gilson Rodrigues desenvolveu um plano de ação que merece ser replicado em todas as favelas do país.


O líder comunitário de Paraisópolis possui experiência em desenvolvimento de ações coletivas. Gilson coordena o G10, grupo que reúne empreendedores sociais de favelas do Brasil _ Rocinha (RJ), Rio das Pedras (RJ), Heliópolis (SP), Paraisópolis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixadas da Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF).


Essa prática em articular indivíduos capazes de agir em prol de sua localidade foi responsável pela junção de 410 lideranças de Paraisópolis. Cada um desses, denominados de “presidentes de rua”, se encarrega do atendimento de 50 casas da populosa favela de cem mil habitantes distribuídos em 21 mil moradias. As atribuições dos presidentes de rua são: conscientização e monitoramento do morador em relação ao isolamento social, distribuição de doações sem aglomerações, acionamento de socorro médico e divulgação de informação verídica.


Além desse suporte, Paraisópolis também conta com três ambulâncias (incluindo uma UTI), dois médicos, três enfermeiros e dois socorristas. Duas escolas estaduais da região estão se preparando para receber até cinquenta mil moradores contaminados ou com suspeita de Coronavírus. Para que essa estrutura possa funcionar 24 horas por dia, a associação de moradores, com o apoio de uma empresa privada, tem um custo diário de cinco mil reais.

A manutenção das estratégias desenvolvidas por Paraisópolis requer o apoio de empresas privadas e da solidariedade de doadores que contribuem com a vaquinha criada. O ideal seria que o Estado não fosse recriado dentro da favela, mas que a favela coubesse no orçamento do Estado. Enquanto isso não ocorre, medidas como as adotadas pela favela paulista podem servir de modelo para todas as outras. 




44 visualizações

O Portal Favelas é uma construção coletiva de moradores de favelas, para falar de e para as favelas, por meio da integração dos diversos canais de comunicação locais ou regionais.

  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube
  • Twitter