Favelas do Rio poderão receber cartas em espaços cedidos pela prefeitura

Atualizado: 1 de Out de 2019




Moradores de favelas no Rio poderão receber suas correspondências em pontos próximos às comunidades sem precisar pagar taxas extras. Uma lei sancionada pelo prefeito Marcelo Crivella no Diário Oficial do município desta terça-feira estabelece que os locais serão cedidos pela prefeitura, a partir de um convênio com os Correios. A ideia foi proposta pelo vereador Luiz Carlos Ramos Filho, que ouviu reclamações sobre a dificuldade de receber encomendas em áreas consideradas de risco.


Recebo muitas reclamações de pessoas que sequer podem ter um comprovante de residência. Essa realidade é muito cruel. Estive reunido com a direção dos Correios e a empresa tem um levantamento das áreas onde as correspondências não chegam ou, se chegam, o morador é obrigado a pagar taxa. Nem todo mundo tem o dinheiro e o resultado é que a carta acaba indo pro valão mais próximo — conta o vereador.


A lei determina que o poder público municipal cederá um espaço dentro de seus equipamentos próximos a comunidades carentes, como vilas olímpicas ou edifícios de conselhos regionais, para que as cartas sejam recebidas por um servidor municipal treinado pelos correios. A lei entrou em vigor na data da publicação.


A prefeitura agora tem que definir os pontos e selecionar os servidores. O primeiro passo é uma reunião com a direção dos correios, para que o cidadão seja atendido com a máxima urgência — diz Luiz Carlos Ramos filho.


Solução comunitária

Três moradores da Rocinha decidiram criar uma solução comunitária para o problema: o Grupo Carteiro Amigo (GCA), que entrega correspondência em todos os cantos da maior favela do país. Só na Rocinha, a empresa atende a 4.316 residências. O GCA também tem franquias em outras favelas: Asa Branca, no Recreio; Vila Cruzeiro, na Penha, e Parque Royal, na Ilha do Governador.


As cartas são enviadas para a sede do Carteiro Amigo, na Estrada da Gávea, e distribuídas pelos carteiros do GCA, que são moradores da favela. No entanto, para receber a carta em casa, os moradores precisam pagar R$ 20 por mês.

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