• Redação

ATÉ QUANDO?

Atualizado: há 6 dias


Por Pretta Grigorio


Quando em meio a uma quarentena, estado de calamidade pública decretado, pessoas morrendo por falta de atendimento ou atendimento precário, falta de comida e remédios, o Estado mata inocentes, isso é o pingo que faltava, já que não adianta a favela berrar nos dias normais.


É GENOCÍDIO!



Quero o nome de 5 favelas que receberam ajuda do Estado? Seja cesta básica, auxílio para o gás, reforço em equipamento dos UPAS, CLÍNICAS DA FAMÍLIA. Qual favela recebeu cestas de alimentos? Produtos de higiene? Limpeza? Só paliativo. Nas beirolas, vias de acesso. O que o Estado fez por nós ?


Estamos á deriva não é de hoje, mas nos recriamos o tempo todo, driblamos o sistema o tempo todo pra sobreviver. São endereços de terceiros pra conseguir emprego pois o CEP nos elimina, são cursinhos preparatórios nas lajes para concorrer a vagas na academia, são as adolescentes que dão aula de reforço pra quem tá com dificuldade escolar, é o garoto que consegue comprar uma máquina, faz curso na internet e vira o barbeiro da favela… Estamos cansados de nos virar. Cansados de não termos nossos direitos respeitados, cansados de sermos invisíveis e descartáveis.

O Estado em suas esferas não chegaram na favela com nada até agora, e nem chegará se não houver um levante, mesmo que seja virtual. Aulas on line para quem?? Muitos na favela não tem aparelhos celulares e os que tem precisam de créditos para ter acesso a internet… Imprimir apostilas? Como? Com que recurso? Alimentação? Toma 3 litros de leite e fim de papo, foi o que fez o prefeito. A merenda que estavam nas escolas foram recolhidas, não se sabe pra quê ou quem. Divulgaram um cartão alimentação, conheço várias famílias que sequer receberam os 3 litros de leite quiçá o cartão.


O estado, somente agora está enviando apostilas pros alunos, sem aviso. Várias Associações de moradores receberam as apostilas, galera do ensino médio, corre que tá disponível e é nominal, ou seja, não veio de todo mundo. Fora isso a única coisa que o Estado tem feito é matar. O governador eleito pela zona oeste e interior, reforçou e atualizou sua fala validando mortes a esmo nas favelas. Forjam confrontos, desaparecem com corpos, fingem socorrer e essas pessoas nunca chegam vivas a hospital nenhum. Quero conhecer 1 pessoa que foi socorrida pela polícia após ser baleado e está vivo. Não tem. Entrou no camburão chega morto no hospital, lembra o menino de Costa Barros? Era uma bala de raspão e chegou com tiro na nuca? Então, aqui na favela assistimos essa conduta diariamente. Esse é o Estado que se apresenta pra nós, que questiona uma casa com acabamento razoável, que hostiliza um jovem por estar com um tênis de marca, que humilha um jovem por ter um cabelo natural, black, que estupra nas incursões,que impõe medo e aterroriza famílias inteiras pois favelado não tem direito. Aqui o Estado atira antes de pedir o RG.

Toda favela se entristece quando vidas são ceifadas como foi do menino João Pedro, Emily, Ághata, Marcos Vinicius…

A pergunta é: ATÉ QUANDO?


GENOCÍDIO.


Tem se apresentado de várias formas que vão além do tiro na cabecinha. Fome mata, depressão mata, falta de medicamento mata, falta d’água nas favelas mata, falta de energia elétrica também mata, não ter testes de COVID19 nas unidades perto das favelas gera diagnóstico errado e tá matando muito.

O projeto genocida tem várias vertentes e aqui na favela sabemos de cor e salteado cada uma delas. Nosso grito de socorro não vem de agora. A pandemia deu destaque pras nossas necessidades, mas essas não são de agora, se arrastam nas correntes da falsa abolição que nos livrou da ‘senzala’ mas nos aprisionou nas ‘favelas’.

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O Portal Favelas é uma construção coletiva de moradores de favelas, para falar de e para as favelas, por meio da integração dos diversos canais de comunicação locais ou regionais.

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