• Redação

Como está a favela?

Por @Pretta Grigorio


Falo hoje de uma visão mais ampla sobre a necessidade do isolamento social e de como as favelas e periferias estão agindo diante das determinações das autoridades.

Acredito que a primeira dificuldade seja com relação a espaço físico, nas favelas principalmente são famílias numerosas em um sala e quarto mal projetados, sem ventilação necessária e sem quintal que propicie manter as crianças dentro de casa, ou no máximo no quintal.


Falando do meu espaço, meu território o Complexo do Lins, o isolamento social é coisa de novela, as pessoas têm agido como se estivessem em férias prolongadas. Não está havendo o famoso Baile Funk, ou rodas de samba ou charme, mas o fluxo de pessoas nas ruas e vielas é tão intenso quanto em Outubro quando não se falava em Covid19 ou qualquer outra ameaça desconhecida. Está rolando resenhas nas lajes onde basta chegar com um engradado de bebida, campeonato de futebol com vários times, inclusive de outras favelas próximas com crianças e idosos envolvidos.


Mesmo com vítimas conhecidas, crias da área, a desconfiança na existência do vírus ainda é grande. Convencer que não há atendimento e equipamento médicos suficientes gera a seguinte pergunta: E quando teve pra nós?  É o retrato fiel do abandono do Estado por anos a fio e que não tem credibilidade nenhuma aqui dentro. Aqui não chega cesta básica, não tem projetos sociais oriundos do poder público, as equipes da Clínica da Família fazem esforço imenso para abraçar todas as favelas que compõe o Complexo do Lins, as vezes sem EPI. É difícil convencer que o Estado está preocupado conosco. É difícil usar argumentos de que não há médicos ou estruturas médicas para o socorro do tanto de pessoas que podem vir a adoecer, quando nossa realidade é ser atendido por uma enfermeira ( não desmerecendo) pois não há médicos ou pediatras.

As associações de moradores têm se empenhado na conscientização e também na distribuição de máscaras nas favelas, cito aqui a AMAS, Assossiação de Moradores da Arvore Seca, que tem máquinas de costura na sede, e vende a produção de máscaras a R$ 5,00, mas se o morador não tiver o valor leva como doação. Não há álcool em gel pois com os valores cobrados pelo produto torna-se impossível a aquisição, mas esta associação em especial tem desempenhado um trabalho muito bom com relação a conscientização e democratização dos itens de higiene pessoal, foram postos espalhados na favela com água e sabão para higienização das mãos. Esperamos que seja exemplo para várias outras associações. Se precisar de ajuda chama. Estamos dispostos ajudar, esquema família de favela.

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