• Redação

A privatização das praias cariocas: Crivella usa Covid para avançar sua agenda

Heitor Silva Nesta primeira metade do mês de agosto o Pastor-prefeito Crivella que não havia levado em conta o desgaste natural dos cariocas depois de tanto tempo de isolamento foi surpreendido pela ocupação da orla. Diante do fato e da necessidade de evitar aglomerações o pastor-prefeito ensaia a criação de um aplicativo para reserva de espaço nas areias das praias. Isso não dará certo por vários motivos, mas antes que algum desavisado diga funciona na França, mas aqui o povo é mal-educado. Afirmo que não é questão de “índole” do nosso povo, mas de hábitos.


Quanto a nossa índole lembro que nos EUA qualquer evento com expectativa de mais de 100 mil participantes a Guarda Nacional é colocada de plantão. No Rio de Janeiro botamos nas praias da Zona Sul mais de 1 milhão de pessoas no Réveillon, sem nenhuma confusão, nosso carnaval de rua põe durante quase uma semana 2 milhões de pessoas diariamente nas ruas da cidade sem grandes incidentes.

A sociabilidade da praia é do encontro e da tolerância, em muito devido a geografia da cidade onde a periferia está nas áreas ricas, por exemplo, as favelas da Zona Sul e a resistência passiva dos setores populares que nunca deixaram de frequentar a praia apesar dos olhares torcidos da classe média.

Qual é o interesse na segregação das praias cariocas? Há muito tempo existem interesses em reduzir as classes populares nas praias. Por um lado, um elitismo que acredita que a valorização dos seus imóveis está relacionado a não frequência dos setores populares; de outro interesses de comerciantes abastados em expulsar os pequenos comerciantes ambulantes e por fim a ganância dos representantes da administração pública em cobrarem pelo banho de mar.

Cobrar pelo banho de mar é o sonho secreto do prefeito Não é coincidência que durante uma enorme crise fiscal que esvazia os cofres a Prefeitura venha com medidas que, em última instância, facilitam o controle do acesso à praia. Podemos dizer que a proposta do pastor-prefeito é o vestibular para cobrar ingresso na praia. Para quem acha que esta forma de arrecadação não existe veja na imagem abaixo o caso de Cape May, uma praia que fica a 250 km de Nova Iorque, onde o “tag” (ingresso) custa por dia (e por pessoa) 6 dólares, um pouco mais de trinta reais, crianças com mais de 12 anos pagam como adultos.

Preços da praia em Cape May, proximidades de Nova York

A praia, de maneira geral, é um lazer acessível aos trabalhadores de baixa renda, pelo menos para aqueles que moram no entorno devemos lutar para manter esta característica. Portanto defendemos: - Barrar qualquer iniciativa de controlar o acesso as praias; - Garantir as condições de trabalho dos ambulantes e barraqueiros das praias; A PRAIA É DE TODOS

O Portal Favelas é uma construção coletiva de moradores de favelas, para falar de e para as favelas, por meio da integração dos diversos canais de comunicação locais ou regionais.

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