A Pandemia e o Oportunismo Político

Atualizado: Mar 31

Alguns líderes políticos brasileiros não conseguem disfarçar sua subordinação cega à economia, em detrimento do bem estar de sua população. Preferem alinhar-se àqueles que, imaginam, sejam melhores e mais inteligentes que nós. Mesmo quando as evidências mostram o contrário. Digo isso baseado na queda de braço que acompanhamos entre duas estratégias de combate ao Corona vírus em disputa no mundo: A “imunização de rebanho” onde a infecção de grande parte da população desenvolveria imunidade coletiva. E o “distanciamento social e isolamento obrigatório” que busca quebrar a dinâmica de contaminação, distendendo em um tempo maior o contágio do vírus. O presidente da república do Brasil optou por se posicionar ao lado dos EUA e Reino Unido, onde seus líderes, a princípio, resistiram à estratégia do “distanciamento social” com o pretexto de proteger suas economias, se contrapondo a experiência exitosa da China que está conseguindo controlar o contágio a partir de medidas duras de isolamento social. No Brasil, todo coletivo técnico sanitário, incluindo, até certo momento, o ministro da saúde, enfatiza a necessidade do distanciamento social e o isolamento obrigatório como forma de quebrar a corrente de transmissão do vírus e retardar o contágio. Vamos e venhamos, o Brasil tem um acúmulo cientifico já comprovado na área de combate a viroses coletivas. A excelência da FIOCRUZ é incontestável, como é, também, a capacidade de infectologistas e sanitaristas atuantes no pais. Mas isso não está sendo bastante para convencer o presidente da república que procura um bode expiatório para jogar a culpa da crise econômica que, inevitavelmente, vai acontecer. A declaração infeliz e podemos dizer criminosa do presidente da república acontece na semana em que se acentua a curva de crescimento do contagio no Brasil. O argumento do presidente é de que não podemos “deixar o pais quebrar” por causa de uma “gripezinha”, um “resfriadinho”. Para espanto de muitos, o ministro da saúde, em seu pronunciamento no dia seguinte, não discorda do presidente e diz que as medidas de contenção deveriam acontecer por etapas, aos poucos. E que, algumas iniciativas de esvaziar as cidades, foram precipitadas. Outro efeito imediato do posicionamento do presidente foi o recuo do prefeito Marcelo Crivela, que passou a flexibilizar o funcionamento de alguns comércios: lojas de construção, lojas de conveniência e passou a acenar com a possibilidade de retorno de escolas nos próximos quinze dias. Claramente o prefeito está se alinhando ao discurso do presidente, seu parceiro eleitoral nas próximas eleições do Rio. Não por acaso, esta semana, o filho do presidente e sua ex-mulher se filiaram ao partido do prefeito e são promessas para a disputa eleitoral 2020. A população do Rio de Janeiro precisa estar atenta ao jogo político. Enquanto nos mobilizamos para proteger as pessoas nas favelas e periferias, esses senhores estão pavimentando as alianças que não terá vergonha de reafirmar o mote eleitoral: “cuidar das pessoas”. A hora é do poder público garantir a renda mínima para todos os seus cidadãos e cidadãs, com uma atenção especial àqueles e àquelas precarizados pela reforma trabalhista do governo e os excluídos, há muito tempo, da formalidade do mercado: ambulantes, moradores de rua e assemelhados. É hora de salvar vidas e garantir dignidade a todos. No mundo inteiro está sendo dito que a hora é de salvar vidas e que os Estados precisam gastar dinheiro protegendo os mais necessitados. A renda mínima, finalmente, entra no debate político como iniciativa urgente e necessária para preservação de todas as vidas. A pandemia vai passar, precisamos nos fortalecer para combater a política e políticos oportunistas que alimentam a desigualdade absurda em que nos encontramos. Itamar Silva Grupo Eco – Morador da Favela de Santa Marta


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